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#FalaíProfessor: Seu filho chora ao ir para aula? Saiba o que fazer!!

#FalaíProfessor: Seu filho chora ao ir para aula? Saiba o que fazer!!

“Nesta vida, pode-se aprender três coisas de uma criança:
estar sempre alegre, nunca ficar inativo
e chorar com força por tudo o que se quer.”

(Paulo Leminski)

Não nascemos prontos! Estamos o tempo todo nos deparando com situações novas, desafiadoras e angustiantes e que, por isso, podem gerar inseguranças e medos. Desse modo, sair do seio familiar e entrar em um universo novo (a escola), encontrar outros adultos (o professor) em que possa confiar, reconhecer outros espaços e se reconhecer enquanto parte de um grupo, constituem o que chamamos de período de adaptação. Neste período, a relação composta na tríade família–escola–criança é fundamental. É preciso que os pais estejam seguros ao deixar seus filhos na escola, que as crianças possam sentir essa segurança vinda de seus pais e do professor que irá recebê-los e que a escola seja um ambiente acolhedor e encantador.

A adaptação é um período de aprendizagem. Família, escola e crianças descobrem sobre convívio, segurança, ritmos e exploração de novos ambientes, entre tantas outras coisas. Muitos autores nos falam sobre o processo de adaptação da criança, como ele pode ser doloroso tanto para os pais, quanto para a criança e para o professor. Como afirma Balaban (1988, p. 25), a separação é uma experiência que ocorre em todas as fases da vida humana. Ela afeta as crianças, os pais e faz brotar sentimentos nos professores. O ambiente, as novas rotinas, as pessoas não familiares, as separações diárias e a ausência dos familiares requerem das crianças uma significativa exigência social e emocional.

Para alguns autores, como Vitória e Rossetti-Ferreira (1993), a adaptação tem início nos contatos iniciais da família com a escola, pois as primeiras impressões influenciam a forma como estes pais se relacionarão com o novo ambiente. 

A adaptação precisa ser lenta e gradual, respeitando o tempo de cada criança e de cada família. Assim, esse processo acontece em um tempo indeterminado, com avanços e retrocessos. Muitos estudos que retratam as reações das crianças pequenas quando separadas dos adultos queridos vêm sendo feitos. Essas reações podem começar com a perplexidade, choro descontrolado, protestos violentos, até momentos de apatia e ausência de fome. Desse modo, observamos que as crianças são pequenas demais para compreender a complexidade da categoria tempo. E o que parece um período curto para um adulto pode significar para uma criança a sensação de abandono definitivo.

As lágrimas que escorrem dos pequenos olhos e o choro, contínuo ou parcelado, gritado ou soluçado, aflito ou mais contido, podem ser interpretados como manifestações mais legítimas que as crianças pequenas encontram para comunicar a sua entrada no mundo. Nesse momento, as crianças precisam da chupeta, do paninho, do urso de pelúcia ou qualquer outro objeto de apego que seja significativo e lhes dê segurança. O colo pode ser o lugar de conforto e, aos poucos, podem superar e seguir de mãos dadas. Os lugares que trazem elementos conhecidos pelas crianças também são importantes estratégias, como o parque, por exemplo. As crianças não conhecem a escola, mas conhecem parques de diversão e isso gera uma sensação de bem-estar.

Nessas situações de choro, é mais trabalhoso, mas também mais eficiente, procurar a sua causa. Observa-se que o choro é comum durante esse período, tanto na chegada, quando a criança é deixada na escola pelos pais, quanto na saída, quando os pais retornam para buscá-la. O choro transmite o que os pequenos não sabem dizer. É preciso aprender a identificar a mensagem. Existem também manifestações como gritos, reações de mau humor, bater nas pessoas, deitar-se no chão, reações de passividade, de apatia, de resistência à alimentação ou ao sono e comportamentos agressivos. A ocorrência de doenças também é bastante frequente. A criança, além disso, pode manifestar seus sentimentos em relação à separação, apresentando sintomas físicos, como febre, vômitos, diarreia, bronquite, alergias, etc. É possível, segundo Rizzo (2000), que o grande investimento emocional da criança durante a adaptação, a torne menos resistente à infecção.

Para uma boa adaptação, também deve se levar em conta a ação pedagógica, como a estimulação de crianças em atividades grupais que gerem um clima de alegria, incitem a curiosidade e, finalmente, a aproximação natural da criança com o grupo! Isso deve ser muito estimulado nesse momento. Com um bom trabalho de socialização, a criança a ser adaptada terá o apoio e ajuda entre os demais colegas e professor. Este último tem o papel muito importante de mediador e facilitador da socialização.  Não existe um receituário que mostre passo a passo como agir, mas com perseverança e dedicação pode-se contornar a situação e fazer com que a criança se adapte àquele mundo totalmente novo para ela e seus pais. 

Na época de adaptação, nas andanças chorosas pela escola, há momentos em que tudo ocorre bem e outros em que nada parece dar certo, mas é juntamente nesse lugar de perdas e ganhos que o vínculo com as crianças e as famílias vai se estabelecendo, de modo que as crianças passam a entender que conhecemos seus pais, sabemos onde eles estão e como encontrá-los quando for necessário. 

Depois, passado algum tempo, as crianças circulam com autonomia pelo colégio, correm e pulam, reconhecem os outros professores e funcionários da escola e todas as crianças do grupo pelo nome. No entanto, a adaptação da vida ainda não terminou! Situações novas e de mudança virão e precisarão de toda a nossa atenção e cuidado, pois se olharmos a sutileza dos choros, da angústia e dos medos desde a primeira infância, certamente, estaremos mais preparados para a vida. Uma eterna caminhada cheia desses lugares, gentes e situações novas…


Imagem

Mônica Braida

Coordenadora Pedagógica de Segmento

Educação Infantil e Ensino Fundamental I

Rede de Ensino APOGEU 


Referências 

BALABAN, Nancy. O início da vida escolar: da separação à independência. Porto Alegre: Artes Médicas, 1988

Referencial Curricular para Educação Infantil. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental-Brasília. Volume Introdução. 1998. 

CUBERES, Maria Teresa. G. Entre as Fraldas e as Letras: contribuição à Educação Infantil. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.

 OLIVEIRA, Zilma de Moraes Ramos de, et al. Creches: crianças, faz-de-conta e cia. Rio de Janeiro: Vozes, 2001. 

RAPOPORT, Andrea. Adaptação de bebês à creche: a importância da atenção de pais e educadores – Porto Alegre: Mediação, 2005.

 RIZZO. G. Creche: organização, montagem e funcionamento. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 2000. 

ROSSETTI-FERREIRA, Clotilde; VITÓRIA, Telma. Processo de Adaptação na creche. Cadernos de Pesquisa. São Paulo, nº 86, p.55-64, ago. 1993.



     


Tags: APOGEU, adaptação, educação infantil, pais, filhos, pequenos, crianças, maternal

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